Sonho

by Antero de Quental Portuguese

Sonhei--nem sempre o sonho é cousa vã--
Que um vento me levava arrebatado,
Atravez d'esse espaço constellado
Onde uma aurora eterna ri louçã...

As estrellas, que guardam a manhã,
Ao verem-me passar triste e calado,
Olhavam-me e dixiam com cuidado:
Onde está, pobre amigo, a nossa irmã?

Mas eu baixava os olhos, receoso
Que trahissem as grandes magoas minhas,
E passava furtivo e silencioso,

Nem ousava contar-lhes, ás estrellas,
Contar ás tuas puras irmansinhas
Quanto és falsa, meu bem, e indigna d'ellas!

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