Sem remédio

by Florbela Espanca Portuguese

Aqueles que me teem muito amôr
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dôr,
Á minha porta e, nesse dia, entrou.

E é desde então que eu sinto êste pavôr,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!

Sinto os passos da Dôr, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!

E é sempre a mesma mágua, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atraz de mim, sem me largar!...

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