Friêsa

by Florbela Espanca Portuguese

Os teus olhos são frios como as espadas,
E claros como os trágicos punhais;
Teem brilhos cortantes de metais
E fulgores de laminas geladas.

Vejo nêles imagens retratadas
De abandonos crueis e desleais,
Fantásticos desejos irreais,
E todo o oiro e o sol das madrugadas!

Mas não te invejo, Amôr, essa indiferença,
Que viver nêste mundo sem amar
É pior que ser cego de nascença!

Tu invejas a dôr que vive em mim!
E quanta vez dirás a soluçar:
«Ah! Quem me déra, Irmã, amar assim!...»

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